terça-feira, 11 de abril de 2017

CORDEL NA BIENAL DO LIVRO DO CEARÁ


HOJE 18/04, na XII Bienal Internacional do Livro do Ceará: Mesa Redonda sobre o poeta JOÃO SANTANA DE MARIA e AMANHÃ, 19/04, lançamento do livro SANTANINHA - UM POETA POPULAR NA CAPITAL DO IMPÉRIO, de Arievaldo Vianna e Stélio Torquato Lima.
A obra retrata a incrível saga de um retirante da Seca de 1877 que fez sucesso como CORDELISTA em pleno Rio de Janeiro! Embora seja desconhecido pela maioria dos pesquisadores atuais, João Santana de Maria - O SANTANINHA é citado por Sílvio Romero, Mello Moraes Filho, Barão de Studart e José Calazans (dentre outros) como um dos precursores da Literatura de Cordel. É citado também por JOSÉ DE ALENCAR numa caderneta de anotações que utilizou para composição do romance O SERTANEJO e para o livro O NOSSO CANCIONEIRO!
A pesquisa de Arievaldo Vianna e Stélio Torquato abrange citações em livros do século XIX e primórdios do século XX, notas publicadas em dezenas de jornais e revistas do Ceará, Maranhão, Pernambuco e Rio de Janeiro e narra a saga desse poeta potiguar, natural da Vila de Touros-RN, nascido em 1827, autor de, pelo menos, 10 folhetos de cordel publicados entre 1873 e 1883. Com muito esforço os autores obtiveram também o texto integral de quatro poemas de Santaninha, todos em sextilhas!



XII BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DO CEARÁ, de 14 a 23 de abril, no Centro de Eventos do Ceará. 
Estamos lá, mais uma vez, no 
ESPAÇO DO CORDEL E DO REPENTE!

Referência no calendário cultural nacional, a XII Bienal Internacional do Livro do Ceará é um grande espaço de encontros entre diversos públicos e grandes autores e convidados do Ceará, do Brasil e do mundo, promovendo a reinvenção da vida por meio da arte, do conhecimento, da palavra em seus múltiplos meios e possibilidades. Com o tema "Cada pessoa, um livro; o mundo, a biblioteca", esta nova edição da Bienal, com o renomado escritor Lira Neto assinando a coordenação da curadoria, da também integrada por Kelsen Bravos e Cleudene Aragão, é um momento de culminância da política estadual de livro, leitura, literatura e bibliotecas, de acordo com as diretrizes  de democratização do acesso à cultura e à arte, valorização da produção cearense e diálogo com o Brasil e o mundo. Sempre com grande participação popular.

PARA SABER TUDO SOBRE A BIENAL, CLIQUE AQUI: 

http://www.secult.ce.gov.br/index.php/latest-news/46106-xii-bienal-internacional-do-livro-do-ceara-anuncia-novos-convidados-e-detalha-programacao-e-espacos


Com o parceiro Stélio Torquato. Lançaremos este ano
a biografia do poeta SANTANINHA

quinta-feira, 30 de março de 2017

SANTANINHA, O PRECURSOR


Um poeta popular na Capital do Império

PESQUISA JOGA NOVAS LUZES SOBRE OS PRIMÓRDIOS DO CORDEL BRASILEIRO

Alguém já ouviu falar do Santaninha? Os pesquisadores Arievaldo Vianna e Stélio Torquato seguiram as pegadas desse poeta popular citado por Sílvio Romero, Mello Moraes Filho, Barão de Studart e José Calazans (dentre outros) como um dos precursores da Literatura de Cordel. A pesquisa abrange citações em livros do século XIX e primórdios do século XX, notas publicadas em dezenas de jornais e revistas do Ceará, Maranhão, Pernambuco e Rio de Janeiro e narra a saga desse poeta potiguar, natural da Vila de Touros-RN, nascido em 1827, autor de, pelo menos, 10 folhetos de cordel publicados entre 1873 e 1883. Com muito esforço os autores obtiveram também o texto integral de quatro poemas de Santaninha, todos em sextilha!
Trata-se de uma biografia e alentado estudo sobre a obra de Santaninha, acompanhado de uma Antologia com os quatro poemas já mencionados, a saber: O Imposto do Vintém, A Guerra do Paraguai, A Seca do Ceará e o Célebre Chapéu de Sol.  O livro sairá em breve pela META EDITORIAL. Lançamento previsto para a BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DO CEARÁ.


Folhetos de trovas populares, publicados pela Livraria Quaresma

O OVO E A GALINHA: UM ESTUDO SOBRE OS PRIMÓRDIOS DA LITERATURA DE CORDEL

Quem surgiu primeiro? A grande polêmica entre alguns pesquisadores é saber quem publicou folhetos primeiro, se Leandro Gomes de Barros, considerado o ‘pai da Literatura de Cordel’, ou se tal primazia coube a Silvino Pirauá de Lima, ambos paraibanos. Contando em desfavor do segundo está o fato de não terem se conservado seus folhetos mais antigos, ao passo que boa parte da produção de Leandro está preservada no acervo da Casa de Rui Barbosa e na Biblioteca Átila de Almeida, em Campina Grande, com folhetos datados da primeira década do século XX. Antes desses pioneiros, entretanto, um bardo e também rabequista veio a publicar folhetos populares em sextilhas, através da Livraria do Povo, de Pedro Quaresma, no Rio de Janeiro, com formato muito aproximado do autêntico cordel nordestino, quase duas décadas antes de Leandro.
Trata-se do poeta João Sant’Anna de Maria, o Santaninha, autor do folheto O Imposto do Vintém, publicado em 1880. Antes desse cordel, já havia publicado um poema sobre a Guerra do Paraguai. Santaninha revendia seus folhetos no centro da então Capital do Império, cantando-os ao som da rabeca. Parte do conteúdo desses folhetos encontra-se registrada nos Anais do Museu Histórico Nacional. Também tivemos acesso a um folheto integralmente preservado, com quatro poemas de Santaninha, no acervo da Biblioteca Nacional, publicados entre 1879-1881.
Os cronistas daquela época e até mesmo alguns editores classificavam a produção de Santaninha e outros poetas populares como livretos de “modinhas” à falta de melhor definição, pois o termo Literatura de Cordel, trazido de Portugal, ainda não havia se popularizado no Brasil. Essa, aliás, era prática comum, como ratifica Vicente Sales, informando que a editora Guajarina, de Belém-PA, ao divulgar, por volta de 1920, um catálogo de 35 títulos de autores como Leandro Gomes de Barros, João Melchíades Ferreira e Firmino Teixeira do Amaral (entre outros), classifica os folhetos como “literatura sertaneja” ou “coleção de modinhas”. (SALLES, 1985, p. 152)
Sílvio Romero, contudo, já classifica a produção de Santaninha como Literatura de Cordel. Desde a primeira edição do livro Estudos sobre a Poesia Popular do Brasil, publicada em 1879-1880, Silvio Romero já faz uma leve referência ao “pequeno poeta”:

A literatura ambulante e de cordel no Brasil é a mesma de Portugal. Os folhetos mais vulgares nos cordéis de nossos livreiros de rua são: A história da Donzela Theodora, A Imperatriz Porcina, A Formosa Magalona, O Naufrágio de João de Calais – a que juntam-se Carlos Magno e os Doze Pares de França, O testamento do Galo e da Galinha, e agora bem modernamente – as Poesias do Pequeno Poeta João Sant’Anna de Maria sobre a Guerra do Paraguay [ROMERO, 1977, p. 257]

Da biografia de Santaninha, muitos dados eram desconhecidos até recentemente, a começar pela data e lugar de seu nascimento. O que nunca foi questionado foi o fato que viveu no Ceará, onde acompanhou atentamente o desenrolar da Guerra do Paraguai (1864-1870), escrevendo um longo poema que era uma espécie de carro-chefe de suas apresentações, antes de se mudar definitivamente para o Rio de Janeiro. Sabe-se a data em que teria se fixado na Capital do Império: 1877, como informa o célebre Dicionário Biobibliográfico Cearense, do Barão de Studart, no qual se registram outros dados sobre o autor:

João Sant’Anna de Maria – É o celebre Santaninha, afamado improvisador e tocador de rabeca. Foi trabalhador de um sitio da família Sombra em Maranguape, onde era muito popular, e, tendo se retirado para o Rio em 1877, ali faleceu alguns anos depois, após ter granjeado larga fama como rabequista popular. Publicou: — Guerra do Paraguai. Imposto do vintém. O Célebre Chapéu de Sol. A Seca do Ceará, folheto de pp., Rio de Janeiro, Livraria do Povo, Quaresma & C.a, Rua de S. José, 65 e 67. Além dessas suas afamadas cantigas, há mais Outras Poesias, que vi citadas em um catálogo da antiga livraria de Serafim José Alves, Rio. (STUDART, 1910-1915, verbete “João Sant’Anna de Maria”).



A Revolta do Vintém, tema de um folheto de Santaninha

JUSTIÇA PARA SANTANINHA
(trecho do prefácio do livro, assinado pelo pesquisador Marco Haurélio)

Os esforços envidados pelos poetas e pesquisadores Arievaldo Vianna e Stelio Torquato Lima para trazer à baila a fascinante e fugidia personagem Santaninha, pseudônimo de João Santana de Maria, pioneiro da literatura de cordel brasileira, representam um salto qualitativo poucas vezes visto nos estudos da poesia popular. A certeza fulminante advinda da pesquisa, agora transformada em livro, é a de que a cronologia do cordel precisa ser urgentemente revista. Santaninha antecede, em pelo menos duas décadas, Leandro Gomes de Barros (1865-1918), o paraibano genial que nos legou alguns dos maiores clássicos do gênero.
Por que, então, seu nome não consta ou é citado marginalmente por uma reduzida gama de pesquisadores? Por que não há qualquer referência a ele no Dicionário Biobibliográfico de Repentistas e Poetas de Bancada, de Átila Almeida e José Alves Sobrinho?

Bem, são muitas as perguntas, e os autores deste livro respondem à maior parte delas com a desenvoltura de quem foi além das fontes primárias. À parte a conhecida e repisada citação de Sílvio Romero em seus Estudos da poesia popular, Arievaldo e Stelio recorreram a acervos, recortes de jornal e obras de referência há muito fora de circulação. Se Santaninha, a princípio, era uma personagem distante, quase evanescente, a pesquisa criteriosa, deu-lhe um rosto, esboçou traços de sua personalidade e reconstruiu sua trajetória de migrante que deixou o Ceará e se instalou no Rio de Janeiro, tornando-se, na capital federal, um cronista popular. Citei-o brevemente, reproduzindo, em nota, o verbete do Barão de Studart que também consta deste volume. Sabia de sua importância, mas não fazia ideia de como inseri-lo no universo da literatura de cordel, tal como se estabeleceu a partir do modelo legado principalmente por Leandro Gomes de Barros. Este livro faz isso muito bem e vai além. (...)


Página de rosto de um folheto de Santaninha, 
todo escrito em SEXTILHAS

* * *
SERVIÇO: Lançamento dia 18 de abril (terça-feira), na Praça do Cordel, a partir das 15 horas. Palestra com Stélio Torquato, Arievaldo Vianna, Gilmar de Carvalho e Crispiniano Neto.

Ver programação completa aqui: https://issuu.com/secultceara/docs/programacao_bienal2

terça-feira, 21 de março de 2017

SONETO


Pierre Mignard - Clio (Musa da História)

A HISTÓRIA, MÃE DA VERDADE

Desde os tempos de Mauá e de Delmiro
Que a suprema e vil sanha estrangeira
Prejudica a economia brasileira
E abate o nosso avanço com um tiro.

Eu conheço a História e não deliro,
Sobrenado nessa onda de besteira...
Sei filtrar as notícias na peneira
E não venham me dizer que eu conspiro!

Não me iludo com o discurso de um fascista,
E nem assumo a postura imbecil,
De quem vive acostumado a lamber chão.

Pois eu cá, não me curvo a entreguista!
Quem conhece a história do Brasil
Não aceita andar mais na contramão.

Arievaldo Vianna
21.03.2017


Irineu Evangelista de Sousa - O Visconde de Mauá


O pioneiro da indústria nordestina Delmiro Gouveia

SOBRE CLIO, A MUSA DA HISTÓRIA
Da união de Zeus e Mnemósine nasceram as nove musas, personificando as artes e ciências. Clio (ou Arauto) é a musa grega da História.
Clio junto com as irmãs, habita o monte Hélicon. As musas reúnem-se, sob a assistência de Apolo, junto à fonte Hipocrene, presidindo às artes e às ciências, com o dom de inspirar os governantes e restabelecer a paz entre os homens. Clio é a musa da história e da criatividade, aquela que divulga e celebra as realizações. Preside a eloquência, sendo a fiadora das relações políticas entre homens e nações. É representada como uma jovem coroada de louros, trazendo na mão direita uma trombeta e, na esquerda, um livro Intitulado "Thucydide" (Tucídides). Outras representações apresentam-na segurando um rolo de pergaminho e uma pena, atributos que, às vezes, também acompanham Calíope. Clio é considerada a inventora da guitarra. Em algumas de suas estátuas traz esse instrumento em uma das mãos e, na outra, um plectro (palheta). Um dos nove livros de Heródoto leva o nome de Clio em homenagem à deusa.
Metaforicamente, Clio simboliza que o conhecimento é fruto da leitura e do estudo e, nas lendas gregas, a musa é referida como aquela que legou o alfabeto aos homens.


FONTE: http://speglich.blogspot.com.br/2008/03/clio-musa-da-histria.html

sábado, 4 de março de 2017

A MORTE DE LEANDRO


Em Pombal-PB, na festa do Sesquicentenário de nascimento do poeta 

99 ANOS SEM LEANDRO, O PAI DA LITERATURA DE CORDEL

Hoje, 04 de março de 2017, fazem exatamente 99 anos que o poeta Leandro Gomes de Barros transportou-se para outro plano. Do mesmo modo que a sua vida, a morte de Leandro também é envolta em lendas e controvérsias. Sabe-se, seguramente, que a data foi 04 de março de 1918, pois isso consta em folhetos editados pelo seu genro Pedro Batista entre 1918 e 1921 e na sua certidão de óbito, encontrada num cartório do bairro de São José, no Recife-PE. A causa e o local exato é que são controversas, embora tenhamos cópia de sua certidão de óbito lavrada em um cartório no bairro de São José, no Recife, que traz à tona informações dignas de crédito. Ruth Terra, que entrevistou uma de suas filhas, afirma que Leandro morreu no Recife, na rua Passos da Pátria, número 35. No dia 07 de março o jornal A Província, de Recife, noticiou deste modo a morte do grande poeta:

"Aos primeiros minutos da manhã de anteontem, faleceu em sua residência, à Rua Passos da Pátria, nº 35, o poeta popular Leandro Gomes de Barros. Possuidor de grande inspiração poética, Leandro Gomes publicou grande número de histórias rimadas que tinham grande aceitação, não apenas no interior do estado como também nesta capital e em outros estados. Em seus livros de versos, embora não fossem confeccionados com a métrica e estilos exigidos pela arte, encontra-se a verdadeira poesia, cheia de sentimento e inspiração. À família do saudoso poeta levamos os nossos sentimentos."

É oportuno ler o que escreveu Permínio Ásfora, no Diário da Noite de Recife, em 13 de dezembro de 1949, em artigo intitulado “Crise no romanceiro popular”:

Trechos de sua vida são lembrados ainda hoje. Contam que já morava aqui no Recife quando um senhor de engenho, indignado com um morador, resolveu aplicar neste uma sova de palmatória. (...) Um dia o senhor de engenho é surpreendido por violenta punhalada vibrada pela mesma mão que levara seus bolos. O poeta Leandro aproveita o caso policial, transformando-o em folheto que era um libelo contra o senhor de engenho. Descreve em "O punhal e a palmatória", com calor e simpatia, a inesperada vindita. O chefe de polícia, enfurecido com a literatura de Leandro, manda metê-lo na cadeia. Apesar de folgazão, Leandro era homem de muita vergonha e de muito sentimento. E como naquele já distante ano de 1918 a cadeia constituía uma humilhação, à humilhação da cadeia sucumbiu o grande trovador popular.

Ásfora cita a seguir uma estrofe do dito folheto que afirma ser a primeira:

“Nós temos cinco governos
O primeiro, o Federal,
O segundo o do Estado,
O terceiro, o municipal,
O quarto é a palmatória
E o quinto o velho punhal”.

Ruth Terra(1), nas pesquisas de seu livro já mencionado, encontrou  o dito folheto “A palmatória e o punhal” no acervo dos Fundos Vila-Lobos e constatou que a primeira estrofe difere daquela citada por Permínio Ásfora:

“Desde que entrou a República
Que o nosso país vai mal
Pois o lençol da miséria
Cobriu o mundo em geral
Deixando a mão entregue
À palmatória e ao punhal”.


Ilustração: JÔ OLIVEIRA 

Ruth Terra teve o cuidado de verificar se a estrofe recolhida por Permínio Ásfora achava-se em outro trecho do referido folheto localizado nos Fundos Villa-Lobos, mas não a encontrou. Como o folheto localizado por ela não tem data, fica difícil saber se é a mesma edição apreendida pelo chefe de polícia de Recife em 1918 ou se a estrofe recolhida por Permínio Ásfora foi apenas retida na memória de algum fã do poeta e deturpada ao longo dos anos.
Outros pesquisadores afirmam que Leandro morreu vítima da influenza espanhola, uma gripe mortífera que assolou o Brasil no início do século passado. Egídio de Oliveira Lima(2), por sua vez, diz que Leandro morreu "de uma enfermidade que o havia atacado uns dez anos antes" (Lima, 1978: 156), e no seu ATESTADO DE ÓBITO consta como causa mortis ANEURISMA.
Após a morte de Leandro, em 1918, seu genro Pedro Batista (irmão de Chagas Batista e esposo de Rachel Aleixo de Barros), continuou editando a obra do sogro em Guarabira-PB, fazendo algumas revisões de linguagem. Na 3ª edição completa de O Cachorro dos Mortos, um dos maiores clássicos de Leandro, publicado em Guarabira-PB em 1919 (um ano após a sua morte), Pedro Batista colocou o seguinte aviso:

“Tendo falecido o poeta Leandro Gomes de Barros passou a me pertencer a propriedade material de toda a sua obra literária. Só a mim, pois, cabe o direito de reprodução dos folhetos do dito poeta, achando-me habilitado a agir dentro da lei contra quem cometer o crime de reprodução dos ditos folhetos.”

Ainda na contracapa do dito folheto, Pedro Batista dá nome aos “bois” responsáveis pela “pirataria”:

“Já achava-se este folheto em composição quando chegou ao meu conhecimento que em Belém do Pará, um indivíduo de nome Francisco Lopes e no Ceará um outro de nome Luiz da Costa Pinheiro, têm criminosamente feito imprimir e vender este e outros folhetos do poeta Leandro Gomes de Barros, sem a menor autorização de minha parte que sou o legítimo dono de toda a obra literária desse poeta. (...)”

Ora, bem pior fez João Martins de Athayde, que após adquirir por compra o espólio de Leandro, tentou usurpar-lhe a autoria suprimindo o seu nome da capa dos folhetos e alterando os acrósticos que Leandro utilizava no final dos poemas, a fim de confundir a identificação.  Essa prática condenável verifica-se em dezenas de obras reeditadas por Athayde. Vejam só o que aconteceu com a última estrofe  do folheto “A Força do Amor ou Alonso e Marina”, onde o acróstico LEANDRO  foi alterado para IEANJRO.

Folheto editado pelo autor:

Levemos isso em análise
Então vê-se aonde vai
A soberba é abatida
No abismo tudo cai,
Deus é grande e tem poder
Reduz ao pó qualquer ser
O poder d'Ele não cai.

Versão de João Martins de Athayde:

Isto fica como exemplo
Então vê-se  aonde vai
A soberba é abatida
No abismo tudo cai
Jesus é grande em poder
Reduz ao pó qualquer ser
O poder d'Ele que é pai.

A venda dos direitos autorais de Leandro Gomes de Barros, pela viúva do poeta, Dona Venustiniana Aleixo de Barros, a João Martins de Ataíde ocorreu em 1921. O pesquisador Sebastião Nunes Batista, que muito se empenhou pela restituição de autoria de Leandro e de outros poetas populares, informa como se deu essa transação, em artigo intitulado “O seu ao seu dono...” publicado na revista Encontro com o Folclore (Rio de Janeiro, 5 de abril de 1965):

“D. Vênus, como era chamada na intimidade, desentendera-se com o seu genro Pedro Batista, porque tendo este enviuvado de sua filha Rachel Aleixo de Barros, que faleceu de parto da pequena Djenane, não concordou em que a menina fosse para companhia da avó materna, e esta em represália autorizou João Martins de Athayde a editar parte da obra literária do grande poeta popular paraibano Leandro Gomes de Barros.”

Um dos filhos de Leandro, Esaú Eloy Barros de Lima, assinou juntamente com mãe o documento de venda da obra de seu pai ao poeta João Martins de Athayde, em abril de 1921. A venda foi efetuada no dia 13 e o documento foi registrado em cartório no dia 16 do mesmo mês.

O TEXTO INTEGRAL DO DOCUMENTO DE VENDA, CONFORME Sebastião N. Batista, (In Literatura Popular em Verso  Estudos, pág. 452 da segunda edição - Editora Itatiaia, 1986):

“CONTRATO DE VENDA DE PROPRIEDADE LITERÁRIA”

A abaixo assinada, viúva do poeta popular LEANDRO GOMES DE BARROS, tendo ficado com a propriedade exclusiva de todas as obras do referido poeta, declara pelo presente ter vendido ao Sr. JOÃO MARTINS DE ATAÍDE a mesma propriedade pela quantia de seiscentos mil réis (600$000), cuja importância me foi paga em moeda legal do país, pelo que poderá usar de todos os direitos que lhe são conferidos por lei, fazendo da mesma o uso que lhe convier.  Jaboatão, 13 de abril de 1921  (a) VENUSTINIANA EULÁLIA DE BARROS.  (a) JOÃO MARTINS DE ATAÍDE.  Cunha: - (a) Esaú Eloi de Barros Lima  (a) Aprígio José de Lázaro. Reconheço as firmas dos constantes e das suas testemunhas.  Recife, 16 de abril de 1921  em testemunho da verdade  (a) Tavares de Genésio Barreto.”

(Conforme cópia do original fornecida ao Prof. Mark Curran, em Recife, agosto de 1966, por um filho do poeta-editor João Martins de Ataíde).

[1] - Ruth Brito Lemos Terra - Memória de Lutas: Literatura de Folhetos no Nordeste  1893  1930, editora Global, 1983.
[2]  Egídio de Oliveira Lima, Folhetos de Cordel, Edição UFPB, 1978, pág. 156.


ENCONTRADA A CERTIDÃO
DE ÓBITO DE LEANDRO

Cristina da Nóbrega, seguindo pistas fornecidas pelo autor destas linhas, pesquisou nos cartórios do Bairro de São José, no Recife, e localizou o livro onde está assentada a CERTIDÃO DE ÓBITO do grande poeta. Algumas informações curiosas, prestadas por seu filho Esaú Eloy de Barros Lima (quem, por sinal, assina o documento), são bem reveladoras. Ele informa que seu pai tinha 58 anos de idade, e não 53, na data de seu falecimento, o que remete seu nascimento para 1860, ao invés de 1865, data divulgada oficialmente. Diz que Leandro era filho de José Gomes de Barros Lima e Adelaide Gomes de Barros (seu nome de solteira era Adelaide Xavier de Farias). Era comerciante, faleceu na rua Passos da Pátria, bairro de São José, às 9h30 da noite do dia 4 de março de 1918, tendo como causa mortis aneurisma. Nessa data, Rachel Aleixo de Barros Lima, a filha mais velha, tinha 24 anos, Esaú Eloy, o declarante, 17 anos, e as suas irmãs Julieta (na certidão está grafado erroneamente Juvanêta) e Herodias eram também menores.
Após a morte de Leandro, seu genro Pedro Batista (irmão de Chagas Batista e esposo de Rachel Aleixo de Barros) continuou editando a obra do sogro em Guarabira (PB), fazendo algumas revisões de linguagem, entre 1918 e 1921.
Em 1921, após desentender-se com o genro, a viúva do poeta, Dona Venustiniana Aleixo de Barros, vendeu seu espólio literário a João Martins de Athayde. O pesquisador Sebastião Nunes Batista, que muito se empenhou pela restituição de autoria de Leandro e de outros poetas populares, informa como se deu essa transação, em artigo intitulado "O seu ao seu dono...", publicado na revista Encontro com o Folclore (Rio de Janeiro, 5 de abril de 1965):


D. Vênus, como era chamada na intimidade, desentendera-se com o seu genro Pedro Batista, porque tendo este enviuvado de sua filha Rachel Aleixo de Barros (que faleceu de parto da pequena Djenane, em junho de 1918), não concordou em que a menina fosse para companhia da avó materna, e esta em represália autorizou João Martins de Athayde a editar parte da obra literária do grande poeta popular paraibano Leandro Gomes de Barros.

[In Leandro Gomes de Barros - Vida e Obra, de Arievaldo Vianna]


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Relembrando o BENTEVI

Poeta Bentevi Neto fotografado em Canindé-CE

Amigo José Tinoco
Eu ainda faço glosa
Sou repentista da prosa
Que nunca ficou no toco
Sou glosador de papôco
Já glosei com mais de cem!
Dos poetas que aqui vêm
Pra derribar meu projeto
Encontrei Bentevi Neto,
Daí pra cá mais ninguém.

(Glosa do poeta Roque Machado, recolhida por Alberto Porfírio)

BENTEVI NETO, um glosador do “papôco”


Quarto ou quinto violeiro da famosa dinastia dos Bentevis da Paraíba, Severino Mendonça da Silva*, o Bentevi Neto (ou Bem-te-vi, como preferem alguns), nasceu em Patos-PB, no dia 11 de março de 1922, mas fez fama como glosador no Sertão Central do Ceará e Maciço de Baturité. Faleceu no dia 05 de julho de 1959, em Água Verde, distrito de Pacatuba, vítima de um acidente de caminhão. O poeta havia conseguido uma carona num caminhão carregado de frutas, que vinha de Baturité para Fortaleza. Na ponte da Água Verde, o carro virou devido um cochilo do motorista. Dizem que de boas intenções o inferno está cheio... Bentevi ficou soterrado sob as frutas e o ajudante do carro, pensando em socorrê-lo, riscou um fósforo, porque ainda estava escuro. O resultado é que o carro incendiou imediatamente e o pobre cantador morreu carbonizado.


Eis o pássaro que emprestou o nome ao genial glosador


O LEGADO DO POETA

Quando criança, ouvi muitas glosas atribuídas ao Bentevi. Meu pai toda vida gostou de cantoria e quando se juntava com o amigo Chico Cazuza, um fã do poeta, pedia sempre para que ele recitasse alguns versos do grande cantador. Esses versos corriam de boca em boca, no meio daquela gente simples e semi-analfabeta, porém foram preservados ao longo do tempo. Contam que certa feita ele cantava em São José da Macaóca (distrito de Quixeramobim), na casa do mestre Mário Victor, quando fez um gesto muito comum nos grandes cantadores, ergueu a cabeça a fitar as telhas em busca de uma rima. Já havia feito os dois primeiros versos:

O Bentevi quando canta
O seu cantar é exato...

Ergue a cabeça para inspirar-se e eis que passa um gato correndo pela meia parede. Foi o suficiente para completar magistralmente a estrofe:

... Valha-me Nossa Senhora
Que alí vai passando um gato
Mas ele morre e não come
Um Bentevi de sapato!

Dizem os apologistas que guardam carinhosamente algumas pérolas da sua produção poética no cofre da memória, que de outra feita o poeta cantava num salão onde estavam dois cachorros, bem do seu lado. De repente aparece um gato e o poeta improvisa:

Estou muito satisfeito
Cantar nesta sala aqui
De um lado está Tubarão
Do outro lado o Joli
Os cães espantaram o gato
Pra não pegar Bentevi.

Um belo dia juntaram-se 12 cantadores em Baturité. João Siqueira do Amorim liderava o grupo e o Dr. Saraiva Leão pagava a despesa dos poetas, quando surgiu a melhor estrofe, feita pelo Bentevi:

Somos doze cantadores
Aqui no quadro da feira,
Imitando os doze apóstolos,
Com Jesus na cabeceira.
O Cristo é o doutor Saraiva
E Judas é João Siqueira.

De outra feita Bentevi encontrava-se numa barbearia na localidade de Pirangi, distrito de Ibaretama-CE, cujo proprietário tinha o apelido de Gavião. Nesse momento chegou um velho conhecido de ambos, apelidado Marreco, que entrou na barbearia fumando um cigarro e propôs ao Bentevi fazer uma glosa sobre o encontro. O poeta temperou a garganta e respondeu de chofre:

Vi um touro jejuar
Sexta-feira da Paixão
Macaco fazer sermão,
Vi pulga se confessar,
Vi cobra dar de mamar
Ao filho de um juriti
E agora, no Pirangi,
Vi um Marreco fumando
E um Gavião tirando
A barba dum Bentevi.

O poeta gostava de descrever a natureza e tinha paixão pela fauna, não esquecendo sequer o humilde e desprezado cururu:

Não é alto; é baixo e grosso;
É redondo, curto e chato,
Gosta muito de regato,
Mora na beira do poço,
Canta desde sapo moço;
Seu cantar é uma certeza,
Procurando a correnteza,
Banhando o seu corpo nu
Quero bem ao cururu
Profeta da Natureza.

O inspirado glosador viajava de trem de Itapiúna a Caio Prado quando presenciou uma cena bastante desumana. Um homem de CANGATI levava um saco cheio de gatinhos para soltar num local deserto. Bentevi, amante dos animais e da natureza, saiu-se com esta:

Há inverno em todo Estado
Só não chove em Cangati
Porque o povo dali
É todo amaldiçoado
A nuvem do Caio Prado
Passa por cima e some
Tudo por causa dum "home"
Que mandou botar no mato
Um saco cheio de gato
Pra morrer de sede e fome.

Cantando numa emissora de rádio com o poeta José Mota Pinheiro, Bentevi percebeu a chegada de dois colegas: Lourival Bandeira Lima e Lourival Batista. Zé Mota quis ufanar-se terminando uma estrofe cheia de bazófia:

Eu sou Zé Mota Pinheiro,
Um campeão do repente.

Pegando na deixa, Bentevi fulminou-o dessa maneira:

Bentevi Neto, somente,
Nome que o jornal adota;
Lourival Bandeira Lima
E Lourival Patriota.
Onde cantam esses três homens
Não se fala em José Mota.

Segundo nos informou o poeta José Maria de Fortaleza, o principal parceiro de Bentevi era o cantador Nogueira (ou Nogueirão, como era mais conhecido pelos colegas). Certa feita os dois foram cantar em Aracoiaba e andavam pela rua, quando o Nogueira resolveu entrar numa barbearia para cortar o cabelo. Bentevi seguiu adiante e entrou numa bodega, onde foram logo lhe perguntando: Bentevi, cadê Nogueira? O poeta, percebendo que a pergunta era metrificada em sete sílabas respondeu em cima da bucha:

Bentevi, cadê Nogueira?...
Lhe respondo em poesia
Ficou na barbearia
Derrubando a cabeleira;
Com a tesoura cortadeira
Cabelo cai de magote,
E a navalha no cangote
Tirando o resto do friso,
Deixando o pescoço liso
Que só pau de cabeçote!

Numa cantoria na localidade de Três Irmãos (Canindé) nome proveniente de um serrote formado por três gigantescos monólitos praticamente iguais, Bentevi admirou-se da indumentária de um garotinho, que ali se encontrava em trajes mal amanhados...

A calça deste garoto
Parece que está perdida
Foi esta a roupa mais feia
Que eu já vi na minha vida
Pra ser comprida está curta
Pra ser curta está comprida.

Outra glosa famosíssima atribuída a Bentevi, que me foi recitada pelo cantador Pedro Evangelista, questiona a Criação do Homem:

Diz a Sagrada Escritura
Que Adão foi feito de barro
Mas essa história eu não narro
Porque é mentira pura
Ainda tem gente que jura
Que isso tudo foi passado...
Deus é um Santo Sagrado,
Ele nunca foi “loiceiro”
Pra estar dentro dum barreiro
Fazendo cabra safado.

Cantando com Lourival Bandeira Lima, nos festejos de São Francisco das Chagas, em Canindé-CE, o parceiro disse que ia tomar uma cana e tirar o gosto com caju. Os poetas ficavam geralmente em latadas de palha, construídas no leito do rio Canindé, onde se vendia bolo, café, refeições e bebidas alcoólicas, principalmente a cachaça. Bentevi, que também gostava de tomar um trago, glosou de imediato:

Tanto faz chamar caju
Como se chamar jucá;
É cê-a-ca, jota-u-ju
É jota-u-ju, cê-a-cá;
Trocando o pau pelo fruto
Caju pra cá, pau pra lá.


Festejos de Canindé na década de 1940

Ainda em Canindé, o poeta teria glosado essa estrofe, em linguagem matuta, pronunciando “Rie” no lugar de RIO e “mie”, em vez de MILHO, como é muito comum entre os sertanejos. Eis a sextilha:

O Bentevi quando canta
Dentro do leito do RIE
Parece trinta macacos
Em um roçado de MIE
Dezoito quebram na frente
Doze atrás fazendo ATIE.

Fazer atilho é o ato de amarrar a palha das espigas de milho umas nas outras para facilitar o seu transporte. Os macacos são mestres nessa arrumação.

HOMENAGENS PÓSTUMAS

Falando de seu conterrâneo Moysés Lopes Sesyom, no IV Volume do Livro das Velhas Figuras, o grande folclorista potiguar Luís da Câmara Cascudo disse que os seus versos magistrais “estão mais seguros na retentiva popular do que nas páginas de um folheto. Mas essa impressão garantiria a pureza da produção humilde, impossibilitando as deturpações vindouras, instaladas no texto como letra integral.” Foi com essa intenção que os colegas violeiros da SOVIBRIL (Sociedade dos Cantadores, Violeiros e Poetas Populares do Brasil), fundada em 27 de outubro de 1974, publicaram um folheto de 16 páginas intitulado “Vida e Morte de Severino Mendonça da Silva, vulgo Bentevi Neto” fazendo o necrológio do poeta e apresentando uma coletânea de suas glosas mais inspiradas, muitas das quais viriam a ser reunidas posteriormente na famosa Antologia Ilustrada dos Cantadores, de Francisco Linhares e Otacílio Batista. Nesta pequena crônica, conseguimos reunir também algumas estrofes dispersas recolhidas por seus admiradores dos sertões de Canindé e Quixeramobim. Gente anônima que conheci na infância, trabalhadores rurais que guardavam de memória as estrofes felizes do grande glosador paraibano.


Capa do folheto de Minelvino Francisco Silva

Também o poeta popular baiano Minelvino Francisco Silva, “o trovador apóstolo” publicou um folheto de 8 páginas intitulado “Homenagem póstuma ao violeiro Bentevi Neto”, com bela xilogravura retratando o poeta defronte uma igreja. É justamente esse folheto de Minelvino que informa as datas de nascimento e morte de Severino Mendonça da Silva. Vejamos:

No dia 11 de março
Este poeta nasceu
Em Patos, na Paraíba,
O berço querido seu
No ano de 22 (1922)
Conforme Deus concedeu.

Manoel da Silva Mendonça
E dona Rita Crispim
Foram os pais de Severino
De inteligência sem fim
No assunto da poesia
Por ordem de Eloim.

O seu avô era um homem
Sincero e muito correto
Tinha o vulgo Bentevi
Cantador mesmo dileto,
Por isso é que Severino
Chamavam Bentevi Neto.

(...)

No ano 59 (1959)
Um desastre aconteceu
No dia 5 de julho
Bentevi Neto morreu
Na ponte de Água Verde
Esse desastre se deu.

Porque ele viajava
Fazendo a sua defesa
Cantando aqui, acolá,
Por aquela redondeza
Vinha de Baturité
Seguindo pra Fortaleza.

O poeta descreve dessa maneira os momentos trágicos da morte do grande cantador, após a virada do caminhão na ponte de Água Verde:

Ainda estava muito escuro
O ajudante saltou
Pra socorrer Bentevi
Um fósforo logo riscou;
Mas com a explosão do fósforo
Todo carro incendiou.

Ali não teve mais jeito
Todo carro incendiado
Bentevi Neto que estava
Debaixo dele, imprensado,
Foi pra terra da verdade
Além de morto, queimado.

No ano 76 (1976)
Seu Murilo Evangelista
Fez uma bela promessa
Com a alma do repentista
Que morreu ali queimado
Na ponte, fora da pista.

E sendo vitorioso
Por ordem do Salvador
Resolveu ir ao local
Desse desastre de horror
E mandou rezar uma missa
Pra alma do cantador.

A Murilo Evangelista
Jesus lhe deu um bom tino
Pra reunir os poetas
Homem, mulher e menino,
E construir uma capela
Ali, pra São Severino.

(Silva, Minelvino Francisco da. Homenagem póstuma ao violeiro Bentevi Neto)

Segundo o poeta Zé Maria de Fortaleza, ao que parece, a construção dessa igrejinha no local da tragédia jamais se concretizou, embora poetas como Cezanildo Lima tenham envidado todos os esforços para que o projeto fosse adiante.
O poeta potiguar Eliseu Ventania, o ‘Rei da Canção’, foi um de seus parceiros e se dizia influenciado pelo grande poeta paraibano. Em sua última entrevista concedida à imprensa, para o jornal O Mossoroense, em 27 de setembro de 1998, falou da influência que outros violeiros tiveram para a sua decisão pela cantoria. “O que me impulsionou foi o chamado de outros violeiros, como João Liberalino, Adonias Ferreira, entre outros. Aos 18 anos, eu fui para Fortaleza, no Ceará, e lá fiz parceria com alguns violeiros. Anos depois tive como parceiros João Liberalino, Adonias Ferreira, Raimundo Mourão, Bentivi Neto, Patativa, Chico Traíra e muitos outros", relatou à época.

Arievaldo Vianna


* Na Antologia Ilustrada dos Cantadores, de Otacílio Batista e Francisco Linhares, o nome do poeta é dado como Severino Mendes de Queiróz.