terça-feira, 17 de outubro de 2017

XILOGRAVURAS À VENDA





Depois de uma pausa de quase três anos resolvi retomar a minha atividade como XILOGRAVADOR. Imprimi antigas matrizes e também gravei novos tacos, dentre os quais uma série sobre astros da música popular brasileira, que inclui Luiz Gonzaga, Raul Seixas, Roberto Carlos, Belchior, dentre outros. As cópias, em geral, medem 32 x 22 cm. Cada cópia custa R$ 25,00 (em papel vergê) e R$ 30,00 (em papel canson importado).

A seguir, fotos de algumas etapas do trabalho.







sábado, 14 de outubro de 2017

ENCONTRO COM A CONSCIÊNCIA

LANÇAMENTO NO SESC
(Projeto Bazar das Letras)



Ilustrações: Arievaldo Vianna

SESC COMEMORA CINQUENTENÁRIO DO ESCRITOR ARIEVALDO VIANNA COM LANÇAMENTO NO PROJETO “BAZAR DAS LETRAS”

No próximo dia 31 de outubro (terça-feira), a partir das 19 horas, Arievaldo Vianna estará lançando mais um livro no SESC da Duque de Caxias (Centro de Fortaleza), dentro do projeto Bazar das Letras. Trata-se da obra “Encontro com a consciência”, texto em cordel com ilustrações do próprio autor.
Nascido em 1967, o escritor cearense Arievaldo Vianna chega aos 50 anos com a invejável marca de 31 livros publicados, por diversas editoras, e cerca de 150 folhetos de cordel já impressos em sucessivas reedições. Premiado em concursos literários, quatro vezes selecionado pelo MEC, através do extinto PNBE (Programa Nacional da Biblioteca na Escola), esse autor já percorreu o Brasil de norte a sul realizando palestras, recitais, oficinas de cordel e xilogravura, dentro do projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, por ele criado em 2001.

Arievaldo atuou também como consultor e redator de uma série de programas da TV Brasil (Salto para o futuro), sobre o uso do Cordel no ambiente escolar. Teve vários livros selecionados para o catálogo da Feira Internacional do Livro Infanto-Juvenil de Bologna (Itália), e algumas de suas obras conquistaram o selo “Altamente Recomendável” da FNLIJ.

ENCONTRO COM A CONSCIÊNCIA

Escrito em sextilhas e setissílabos, Encontro com a consciência está na justa medida do cordel-romance, a exemplo dos que nos deram os melhores autores do gênero em todos os tempos. As rimas bem aplicadas, a narrativa fluente, a presença do falar regional, a abordagem de detalhes emotivos, a honestidade e honra imaculadas do sertanejo surgem como o tempero que dão sabor à leitura nesse trabalho de Arievaldo Vianna.



Autor: Arievaldo Vianna
Ilustração: Arievaldo Vianna
Indicação: Para crianças de 8 a 80 anos
Temas relacionados: Honra, honestidade
Valor: 34,00
Formato: 20,0 x 27,0 cm
Número de páginas: 28
ISBN: 978-85-7974-182-1



HISTÓRIAS DE CAMINHONEIRO
(Texto de apresentação da obra)

Encontro com a consciência é o trabalho basicamente inaugural de Arievaldo Viana como romancista da Literatura de Cordel. Esta sua narrativa em versos surgiu com o alvorecer do século presente, dois anos depois de o já consagrado poeta lançar a primeira edição do seu livro O baú da gaiatice, que demarcou o ressurgimento do Cordel por aqui e mais além. Com seu faro aguçado para a temática do romanceiro popular, Arievaldo enxergou um belo roteiro nessa história escrita em 1977 por Ramiro Monteiro Chaves, antigo caminhoneiro da região jaquaribana, que por sua vez reuniu em livro suas aventuras pelas estradas do Brasil. Reeditado em 2001, Com o pé na estrada  memórias de um caminhoneiro traz “Encontro com a consciência” em sua versão original e na adaptação para o Cordel.

Agora, o mesmo trabalho ganha publicação individual, em edição primorosa e ricamente ilustrada com desenhos em cores assinados pelo próprio Arievaldo e inspirados nos mestres do traço Percy Lau (1903-1972), Lanzellotti (1926-1992) e Raimundo Cela (1890-1954), que de tal forma são também homenageados. As aquarelas do poeta-desenhista emprestam um novo brilho à sua obra e atestam mais uma vez a evolução constante do Cordel no mercado editorial.

Escrito em sextilhas e setissílabos, Encontro com a consciência está na justa medida do cordel-romance, a exemplo dos que nos deram os melhores autores do gênero em todos os tempos. Conquanto o enredo encontre paralelo numa obra de Simões Lopes Neto (1865-1916), intitulada Trezentas onças, a coincidência pára por aí, pois o desfecho do primeiro é sensivelmente mais vibrante; e ainda se há de supor que Ramiro Monteiro Chaves, incansável em sua luta de caminhoneiro, não tenha sequer conhecido a obra do escritor e regionalista gaúcho.
As rimas bem aplicadas, a narrativa fluente, a presença do falar regional, a abordagem de detalhes emotivos, a honestidade e honra imaculadas do sertanejo surgem como o tempero que dão sabor à leitura nesse trabalho de Arievaldo Viana. O arremate, como sugere o título, tem o seu cunho de grandeza moral e de lição de vida. O relançamento de “Encontro com a consciência”, por outro lado, acontece no momento em que a adaptação da prosa para o cordel, inclusive de obras clássicas, tornou-se um dos filões mais explorados pelos poetas populares e também um dos mais aceitos pelo público. É ainda, não há dúvida, uma alternativa de se preservar e recontar com novo jeito tantas velhas e boas histórias. Assim seja.



Pedro Paulo Paulino (Poeta Popular)


Programa Bazar das Letras
LANÇAMENTO DE "ENCONTRO COM A CONSCIÊNCIA"
QUANDO: 31 DE OUTUBRO DE 2017 - a partir das 19 horas
ONDE: SESC da Avenida Duque de Caxias


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

MINHA ESCOLA DA INFÂNCIA


Nessa casinha funcionou a escola onde recebi as melhores lições desta vida.

Hoje, 12 de outubro, Dia da Criança, resolvi prestar uma homenagem às minhas professoras da infância, em especial à minha tia Heliodória, responsável pela minha educação entre os anos de 1975 e 1977. Dedico essa crônica a todos os meus companheiros de escola: Oswaldo, Marquinhos, Totonho, Walberto, Dário José, Evaldo, Ana Clara, Vânia, Isabel Cristina, Marly e Joana D'Arc Calixto (in memórian). Vejam se está no prumo:


Minha querida professora, Heliodória de Sousa Lima (Dodóia)


DECIFRANDO O BÊ-A-BÁ

(A ESCOLINHA DA ‘DODÓIA’)

Aprendi em casa as primeiras letras, motivado, principalmente, pelo desejo de ler ‘versos’ e ‘romances’, nomes pelos quais a minha avó conhecia os folhetos de Literatura de Cordel. Os meus prediletos eram Juvenal e o Dragão, Princesa da Pedra Fina, A vida de Cancão de Fogo e o seu testamento, A chegada de Lampião no Inferno e As proezas de João Grilo. Desde os cinco anos (ou antes disso), eu prestava muita atenção nas leituras que minha avó fazia em voz alta, para uma roda de ouvintes, à luz de um lampião a gás. De tanto pedir que ela repetisse tais leituras (quase sempre os mesmos títulos) ela resolveu que já era tempo de me alfabetizar.
Trouxeram uma Carta de ABC daquelas antigas, de Landelino Rocha, onde se aprende inicialmente o alfabeto maiúsculo, depois o minúsculo e, finalmente, começa-se a juntar as sílabas. Eu estava tão empenhado nisso que aprendi em pouco tempo. Minha avó tinha umas técnicas interessantes. Uma delas era pegar uma folha de papel em branco, fazer um pequeno orifício no centro, por onde se avistasse somente uma letra da cartilha, para que o menino a reconhecesse sem associá-la com as letras vizinhas. Mais tarde, quando eu já estudava com minha tia Heliodória, tinha dificuldade de decorar a sequência correta dos planetas do Sistema Solar, tendo por base a distância de cada um em relação ao Astro Rei. Ela me repassou uma fórmula infalível, que aprendera no colégio das freiras, em Canindé:
Meu filho, é muito simples. Decore esta frase: “Minha Velha Traga o Meu Jantar. Sopa, Uva, Noz e Pão. Minha = Mercúrio, Velha = Vênus, Traga = Terra, Meu = Marte, Jantar = Júpiter, Sopa = Saturno, Uva = Urano, Noz – Netuno e Pão = Plutão.


Vó Alzira

Hoje em dia os astrônomos acharam por bem retirar o pão do jantar, certamente para diminuir as calorias da refeição planetária. Ou, quem sabe, por contenção de despesas, já que se fala tanto em crise atualmente. Eu, de minha parte, não acho que uvas e nozes sejam um bom acompanhamento para um jantar a base de sopa. Prefiro o pão.
Vovó costurava e dava aulas ao mesmo tempo. Passava a lição e voltava para a sua máquina de costura. Quando não podia me acompanhar na tarefa, incumbia minha tia Augediva desse mister. Havia uma escola na casa velha da Morada Nova mas eu não frequentava, porque além de ser distante, diziam que por lá ainda persistia o velho castigo da palmatória e minha tia não queria me expor a esse vexame.

* * *

Pois bem. Depois que “desasnei” nessa escola caseira e bem informal, fui encaminhado à escola da Terezinha Terceiro de Araújo, uma moça contratada pela Prefeitura de Quixeramobim para manter uma escola chamada Ismael Pordeus, historiador nascido em nosso município que fez um ótimo livro comparativo da obra de Oliveira Paiva, Dona Guidinha do Poço, com um episódio real ocorrido no século XIX, o crime de Marica Lessa. A Escola Ismael Pordeus existia de fato, mas não de direito. Não tinha prédio próprio. A professora ensinava em sua própria casa, no turno da manhã, e a tarde ensinava outra turma na sala da casa do meu tio José Oswaldo que era bem ampla e espaçosa, iluminada por duas portas e três janelas. Tal iniciativa devia-se ao fato de que metade dos alunos eram filhos do meu tio e os demais sobrinhos ou filhos de amigos que moravam na vizinhança. Isso foi no correr do ano de 1974.
Em 1975 minha tia Heliodória, recém-chegada do Rio Grande do Norte, onde estivera internada em colégio de freiras, resolveu abrir uma escola para ensinar os sobrinhos. Primeiramente funcionava na sala da casa do meu avô, com poucos alunos. Depois passou para uma casinha de taipa que ainda hoje está de pé. Essa casinha servia de escola e moradia, pois ela era recém-casada e nascera-lhe a primeira filha, Clara Artures (que eu chamava de Tuinha), que por sinal é minha afilhada. Digo sem demagogia que foi a melhor escola que frequentei em toda a minha vida, de onde retirei o maior proveito, aliado ao fato de estar perto dos meus, cercado de carinho e atenção.
A professora tinha um jeito doce e maternal para com todos, sem distinção, e pleno domínio das matérias que estudávamos. Tanto que ela reunia na mesma classe alunos do segundo, terceiro e quarto ano letivo, distribuindo as tarefas de cada um, sem perder o fio da meada. Eu e o Marquinhos fomos os únicos que ganhamos apelidos da professora: Dodóia me chamava de borrego preto e o Marquinhos era o borrego melado. Em 1977, a Tuinha, que já aprendera a falar e era uma verdadeira pimenta, já aprendera os nossos apelidos. Também pastorava as pessoas que passavam na estrada para puxar conversa. Uma vez, flagrei o seguinte diálogo da Tuinha com Vanilda, uma moça que morava nos Três Irmãos:
— Ei, Vanilda! Vai pra onde?
— Oi Tuinha, vou ali na bodega...
— Vanilda, passe por aqui, venha tomar um cafezinho.
Ora vejam só, que criança hospitaleira. E olhem que essa pestinha devia ter, no máximo, uns dois anos quando aprontou essa.

Eis a turma que estudava na “Escolinha da Dodóia”, em 1976/77: Totonho, Oswaldo e Marquinhos (filhos do José Oswaldo); Dário José e Walberto (filhos do tio José Viana); Vânia, da tia Mily; Isabel Cristina, da Cleide Viana; Ana Clara e Evaldo (filhos do primo José Augusto Viana); Marly, do Raimundo Viana e Joana D’arc Calixto (Era filha do Antônio Calixto. Faleceu precocemente, vítima de um câncer letal). D'arc era um amor de pessoa, muito simpática, risonha, e tinha um sinalzinho no rosto. Ela, Ana Clara, Vânia e Marly eram todas pré-adolescentes. Deviam ter entre 12 e 15 anos na época. Eu só tinha 8 anos, era um inocente, mas bem que gostava da companhia das meninas. Quantas vezes não suspendi a minha tarefa para me enlevar com o sorriso da Joana D’arc? Os meninos do tio José Viana, Dário e Walberto já pensavam em namoro, eram mais velhos que eu. Na opinião geral, eu ainda fedia a mijo, embora não tivesse o hábito de mijar na rede. Não obstante, todos admiravam a minha inteligência e ótimo desempenho em quase todas as matérias, embora fosse o caçula da classe. Foi, sem sombra de dúvidas, o lugar onde estudei com mais prazer e dedicação em toda a minha vida.

domingo, 8 de outubro de 2017

08 DE OUTUBRO


Ilustração: Jô Oliveira - PE

DIA DO NORDESTINO


"Sou o coração do folclore nordestino 
Eu sou Mateus e Bastião do Boi Bumbá 
Sou o boneco do Mestre Vitalino 
Dançando uma ciranda em Itamaracá..."


Leão do Norte - Lenine

"O sertanejo (nordestino) é, antes de tudo, um forte", já escrevia o fluminense Euclides da Cunha no seu clássico Os Sertões. Neste domingo (08/10) é comemorado o Dia do Nordestino, sinal de uma resposta positiva aos inúmeros preconceitos que essa população ainda sofre por parte de uma minoria supostamente elitizada, fascista e desinformada, sobretudo no Sudeste e no chamado Sul maravilha.

Ilustração: William Jeovah - PB


Basta um rápido olhar na contribuição que o Nordeste tem dado para o país no campo das artes, em especial na Literatura, para conhecermos o potencial dessa raça forte e guerreira da Nação Nordeste, berço de Jorge Amado, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, João do Vale, Marinês, Gordurinha, Evaldo Gouveia, Gilberto Gil, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Rachel de Queiróz, Coelho Neto, Humberto de Campos, Gonçalves Dias, José de Alencar, Câmara Cascudo, Leonardo Mota, Celso Furtado, Gilberto Freire, Ariano Suassuna, Joaquim Nabuco, Fagner, Patativa do Assaré, Leandro Gomes de Barros, Zé da Luz, Lucas Evangelista, Ivanildo Vila Nova, Geraldo Amâncio, Rosemberg Cariri, Cego Aderaldo, Chico Anysio, Cassiano, Xangai, Ednardo, Amelinha, Belchior, Zé Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Raul Seixas, só para citar uma pequena parcela dos nossos talentos. VIVA O NORDESTE, VIVA O POVO NORDESTINO!


FAMÍLIA SOUZA-VIANNA, no Brasil desde o descobrimento e no Ceará desde o Século XVIII. Somos todos MESTIÇOS - brancos, índios, negros e orientais - mouros e judeus, somos a amálgama de todas as raças. Não somos "quatrocentões" nem "arianos", nós habitamos o planeta desde que o mundo é mundo. SOMOS BRASILEIROS, acima de tudo. VIVA O POVO BRASILEIRO.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

ATENÇÃO!


LIVROS E CORDÉIS À VENDA:
(Preços atualizados – 2017)

Quer montar ou enriquecer a sua coleção particular de Literatura de Cordel? Quer implantar uma CORDELTECA na sua escola? Temos um estoque variado, abrangendo a obra de vários autores, antigos e contemporâneos, além de obras essenciais sobre o tema.
Enviamos pelo correio para qualquer parte do Brasil, mediante depósito em conta corrente do Banco do Brasil. Maiores informações: acordacordel@hotmail.com



VEJA A LISTA DE LIVROS E FOLHETOS DISPONÍVEIS:

Acorda cordel na sala de aula – R$ 40,00
Kit completo ACORDA CORDEL (+ caixa com 12 folhetos e CD) – R$ 80,00
Sertão em Desencanto – Volume I de Memórias – R$ 30,00
Biografia de Leandro Gomes de Barros – R$ 30,00
Biografia de Santaninha – R$ 40,00
Pavão Misterioso em quadrinhos – R$ 30,00
A batalha de Oliveiros e Ferrabrás em quadrinhos – R$ 30,00
O Rei do Baião do Nordeste para o mundo – Editora Planeta - R$ 30,00
João Bocó e o ganso de ouro – Ed. Globinho – R$ 35,00
O coelho e o jabuti – Ed. Globinho – R$ 35,00
A peleja de chapeuzinho vermelho com o lobo mau – Ed. Globinho – R$ 35,00
O que é literatura de cordel – Franklin Maxado – R$ 30,00
A Lira do poeta Expedito – Gilmar de Carvalho – R$ 20,00
O baú da gaiatice – Arievaldo Viana – R$ 30,00
Encontro de Zé Ramalho com Raul Seixas na cidade de Thor – R$ 15,00
O jumento melindroso desafiando a ciência – R$ 20,00
Dez cordéis num cordel só, de Antônio Francisco – R$ 25,00
Antologia crítica – LULA na Literatura de Cordel, de Crispiniano Neto – R$ 100,00
Antologia da ABLC – 100 Cordéis históricos, 02 volumes – R$ 200,00



MALA DE ROMANCES – Maleta com 120 folhetos de cordel, caixas temáticas e três livros – R$ 400,00



NOSSO CONTATO:

acordacordel@hotmail.com


FOLHETOS SIMPLES
ALGUNS TÍTULOS EM ESTOQUE:

Folhetos de 08 a 16 páginas = R$ 2,50
Folhetos de 24 a 32 páginas = R$ 3,00
Folhetos de 40 a 48 páginas = R$ 4,00

- O valente Zé Garcia - 40 páginas
- Batalha de Oliveiros com Ferrabras - 32 páginas
- A prisão de Oliveiros - 32 páginas
- Artimanhas de João Grilo (Arievaldo Viana) - 32 páginas
- O misterioso crime das tres maçãs - 24 páginas
- João Bocó e o Ganso de Ouro - 16 páginas
- Mil e uma maneiras de manter seu casamento - 16 páginas
- Luiz Gonzaga, o rei do baião - 16 páginas
- Yoyô, o bode misterioso - 20 páginas
- O batizado do gato - 8 páginas
- Discussão de seu Lunga com um corno - 8 páginas
- As peripécias da vaqueira Rosadina - 16 páginas
- Peleja de Severino Pinto com Severino Milanês - 16 páginas
- A donzela Teodora - 32 páginas
- Iracema, a virgem dos lábios de mel - 32 páginas
- A visita da morte - 16 páginas
- O jumento melindroso desafiando a ciência - 16 páginas
- A chegada de Lampião no inferno - 8 páginas
- Romualdo entre os bugios (40 páginas) - Ed. CORAG
- Quinta de São Romualdo (40 páginas) - Ed. CORAG
- A didática do cordel - 16 páginas
- A gramática em cordel - 16 páginas
- Meu martelo - 8 páginas.
- A festa dos cachorros - José Pacheco - 16 páginas
- A cura da quebradeira - Leandro G. de Barros - 08 páginas
- A intriga do cachorro com o gato - 08 páginas
- O jumento melindroso desafiando a ciência - 16 páginas*
- O valente Zé Garcia - 40 paginas
- Peleja de Romano com Inácio da Caatingueira - 16 páginas
- Peleja de Pinto com Milanês - 16 páginas.


FOLHETOS DA EDITORA LUZEIRO, CAPA COLORIDA, formato 13x18cm – R$ 7,00 cada – Mais de 50 títulos diferentes.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

FIM DO MUNDO VEM AÍ


Gravuras do mexicano José Guadalupe Posada

"CURA GAY" e "TERRA PLANA":
ISSO É MESMO O FIM DO MUNDO!

 Para quem acredita em “Cura Gay”, “Teoria da TERRAPLANA”, “Perna Cabeluda” e na imparcialidade dos inquisidores de Curitiba tudo é possível! A palhaçada da vez é uma teoria conspiratória que afirma que o mundo acabará amanhã (23 de setembro de 2017), espatifado por um planeta chamado NIBIRU. Não duvido da existência de tal planeta porque o mesmo  já era assunto dos astrônomos da velha Mesopotâmia uns 6 mil anos antes de Cristo. Como os habitantes da Mesopotâmia foram os inventores da CERVEJA, eu não duvido, jamais, da sabedoria desse povo.

Essa  história de FIM DO MUNDO é tão antiga quanto a própria história da humanidade. Em  1900 não se falava noutra coisa. Em 1999 também. É próprio do ser humano alimentar temores, receios e fascínio pelo desconhecido. O dilúvio bíblico, por exemplo, é descrito por quase todas as civilizações. Pode mesmo ter havido um tsunami no Crescente Fértil que dizimou as civilizações então existentes. Os cientistas (que são criaturas preclaras, entendidas e superiores) não duvidam disso.

Leandro Gomes de Barros, o primeiro sem segundo da Literatura de Cordel, riu a bandeiras despregadas quando lhe disseram que o Cometa de Halley iria exterminar a vida na terra em 1910. A sátira do velho poeta de Pombal continua atualíssima, pelo visto.

* * *


O Cometa de Halley, um dos corpos celestes mais famosos na história da astronomia, sempre visto com medo e desconfiança pelas pessoas simplórias do mundo inteiro, passou a ser mais temido a partir de 1881. Não era exatamente o medo de que ele viesse a se chocar com a Terra. O que aconteceu é que um astrônomo descobriu que a cauda de todos os cometas contém um gás letal chamado cianogênio. Essa onda de pânico, alimentada pela imprensa sensacionalista da época, aumentou ainda mais depois que descobriram que o Halley passaria pertinho da Terra em 1910 – o cometa passa a cada 76 anos e cruzou a órbita terrestre novamente em 1986.  Até jornais importantes, como o New York Times, lançaram teorias que toda a humanidade morreria envenenada pelo gás. Foi preciso que cientistas de bom senso analisassem a questão com mais clareza, a fim de acalmar as pessoas, garantindo que a cauda dos cometas, na verdade, é formada por vapor d’água e um pouquinho de hélio e amoníaco, e que nessas quantidades não fazem mal a ninguém. E, de fato, nenhuma tragédia aconteceu quando da passagem do famoso viajante espacial.

Como se vê, o pânico se instaurou em todo o planeta e foi alimentado pela imprensa sensacionalista. Não se tratava, portanto, de um ataque de histeria coletiva das populações do Nordeste, sempre vistas como atrasadas e supersticiosas. O poeta Leandro Gomes de Barros estava a par do assunto desde sempre. Ele viajava constantemente nos trens da Great Western, participava das rodas de conversas no Largo das Cinco Pontas e no Mercado São José, lia também os jornais, revistas e almanaques que circulavam no seu tempo. Em suma, viu nesse episódio um tema para uma deliciosa sátira, onde esbanja a sua finíssima ironia e sarcasmo:


Eu andava aos meus negócios,
Na cidade de Natal,
No hotel que hospedei-me
Apareceu um jornal,
Que dizia que no céu
Se divulgava um sinal.

O sinal era o cometa
Que devia aparecer,
Em Maio, no dia 18
Tudo havia de morrer,
Aí sentei-me no banco,
Principiei a gemer.

Gemi até ficar rouco
Fiquei logo descorado,
Depois o sangue subiu-me
Que fiquei quase encarnado,
Imaginando n’um livro
Que um freguês levou fiado.

Encontramos numa tese acadêmica da PUC/RJ, intitulada “O cometa do fim do mundo: Ciência e superstição na imprensa carioca de 1910”, de Maria Elisa Bezerra de Araujo, algumas considerações do astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão sobre a passagem do famoso cometa no início do Século XX. Na sua análise, as expectativas dos cientistas no início do século com relação à aparição do Halley era de que não houvesse mais reações de medo. Segundo o autor, depois que Edmund Halley, em 1695, descobriu que os cometas obedeciam a leis da física e estabeleceu o ciclo do cometa que leva seu nome, “acreditou-se que todo o temor em relação aos cometas deveria cessar numa civilização racional e tecnologicamente desenvolvida”. No entanto, prossegue Mourão, o que se constatou foi que por todo o mundo surgiam manifestações de pânico. O astrônomo afirma ainda que “a despeito de todo o avanço científico, o homem ainda mantém todo um universo de sentimentos e expectativas onde os cometas continuam a ser mais que astros catalogados astronomicamente, pressagiando desgraças ou renovando esperanças”.

Leandro não embarca nessa onda de histeria coletiva. Além de não levar a sério esse temor infundado, vale-se de sua irreverência e bom humor para criticar a usura dos ingleses e comerciantes, que se apressam em cobrar as dívidas dos seus fregueses antes do “fim do mundo”. É salvo, com toda família, graças a uma poderosa oração, recitada em prosa no final do poema, e o providencial auxílio de uma bendita panelada e um garrafão de sua bebida predileta, a famosa “aguardente Imaculada”, do engenho do Sr. Láu. Trata-se, evidentemente, de um dos melhores folhetos “jornalísticos” do mestre de Pombal-PB.

A esse respeito é importante observar o que escreveu o pesquisador cearense Francisco Cláudio Alves Marques em seu livro “Um pau com formigas ou o Mundo às avessas” (Edusp, 2014): “Geralmente, na literatura de cordel, as histórias em torno do tema da cachaça têm valor como comentário sobre a moralidade do álcool e os costumes da sociedade. Contudo, em Leandro Gomes de Barros, a bebida é concebida como um dos prazeres da vida e não como um vício; válvula de escape e pretexto para que se digam as verdades mais contundentes sobre o sistema e seus representantes”. O autor enxerga neste e noutros poemas de Leandro traços de uma “festa dionisíaca”.

(Arievaldo Vianna)



O COMETA
Leandro Gomes de Barros (escrito em 1910)



Caro leitor vou contar-lhe
O que foi que sucedeu-me,
O medo enorme que tive,
Que todo corpo tremeu-me,
Para falar a verdade
Digo que o medo venceu-me.

Eu andava aos meus negócios,
Na cidade de Natal,
No hotel que hospedei-me
Apareceu um jornal,
Que dizia que no céu
Se divulgava um sinal.

O sinal era o cometa
Que devia aparecer,
Em Maio, no dia 18
Tudo havia de morrer,
Aí sentei-me no banco,
Principiei a gemer.

Gemi até ficar rouco
Fiquei logo descorado,
Depois o sangue subiu-me
Que fiquei quase encarnado,
Imaginando n’um livro
Que um freguês levou fiado.

Disse ao dono do hotel:
Senhor eu estou resolvido,
Antes de 20 de Maio,
Nosso mundo é destruído,
Visto não durar um mês,
Não pago o que tenho comido.

A dona da casa disse-me:
O senhor está enganado,
Se eu for para o outro mundo,
O cobre vai embolsado,
Eu subo, porém em baixo
Não deixo nada fiado.

Me resolvi a pagar,
Foi danado esse processo,
Não paguei, tomaram à força,
O que é verdade, confesso,
Se havia de morrer de desgraça
Antes morrer de sucesso.

Tratei de tomar o trem
E seguir minha viagem
Disse: - Vai tudo morrer
Para que comprar passagem?
Inglês vai perder a vida,
Perca logo essa bobagem.

O condutor perguntou-me:
- Sua passagem, onde está?
Eu disse: - Na bilheteira,
Quando eu vim, deixei-a lá.
Não comprou? – perguntou ele,
Pois paga o excesso cá!

Eu lhe disse: - Condutor,
O mundo vai se acabar,
Para que quer mais dinheiro,
É para lhe atrapalhar?
A mortalha não tem bolso,
Onde é que o pode levar?

Chego em casa muito triste,
Achei a mulher trombuda,
Perguntei: - Filha, o que tem?
Respondeu-me, carrancuda:
- Ora, a 18 de maio
O mundo velho se muda!

Perguntei: - Tem jantar pronto?
Venho com fome e cansado,
Desde ontem, respondeu-me,
Que o fogão está apagado,
Devido a esse cometa
Não querem vender fiado.

Eu estava tirando as botas
Quando chegou um caixeiro,
Esse vinha com a conta,
Que eu devia ao marinheiro,
Eu disse: - Vai morrer tudo,
Seu patrão quer mais dinheiro?

Fui falar um fiadinho,
Que eu estava de olho fundo,
O marinheiro me disse:
- Já por ali, vagabundo!
Eu disse: - Venda Seu Zé,
Que eu pago no outro mundo!

A 19 de maio,
Quando acabar-se o barulho,
Eu hei de ver vosmecê
Que o senhor vai no embrulho,
Só se esconder-se aqui
Debaixo de algum basculho.

Quero 10 quilos de carne,
Uma caixa de sabão,
Quatro cuias de farinha,
Doze litros de feijão,
Quero um barril de aguardente,
Açúcar, café e pão.

Manteiga, azeite e toucinho,
Bacalhau e bolachinhas,
Vinagre, cebola e alho,
Vinte latas de sardinhas,
Duas latas de azeitonas,
Umas dezoito tainhas.

O marinheiro me olhou,
E exclamou: - Oh! Desgraçado!
Então inda achas pouco
Os que já tens enganado,
Queres chegar no inferno,
Com isso mais no costado?

Eu disse: - Meu camarada,
Isso é questão de dinheiro,
Ganha quem for mais esperto,
Perde quem for mais ronceiro,
Aonde foram duzentos
Que tem que vá um milheiro?

Perguntei ao marinheiro:
— Não faz o fiado agora?
O marinheiro me disse:
— Vagabundo vá embora!
Eu lhe disse: — Pé de chubo,
Você morre e está na hora.

Voltei e disse à mulher:
— Minha velha, está danado.
O cometa vem aí,
De chapéu de sol armado,
Creio que no dia 18,
Lá vai o mundo equipado.

Deixe ir lá como quiser,
A cousa vai a capricho,
Comer, nem se trata nel,
Nossa roupa foi ao lixo,
Vamos ver se lá no céu
Tem onde matar-se o bicho.

Fui onde vendiam fato,
Comprei uma panelada,
Comprei mais um garrafão
De aguardente imaculada,
Disse a mulher: - Felizmente,
Já estou de mala arrumada.

A 17 de maio,
A fortaleza salvou,
Eu comendo a panelada
Que a velhinha cozinhou,
Quando um menino me disse:
- Papai, o bicho estourou!

Aí eu juntei os pratos,
Embolei todo o pirão,
Botei o caldo num pote,
Peguei-me com o garrafão,
Me ajoelhei, rezei logo,
O ato de contrição.

A mulher disse chorando:
- Meu Deus, fica a panelada.
Disse o menino: - Papai,
Onde está a imaculada?
Eu disse: - Filho sossega,
Aqui não me fica nada.

E me ajoelhando aí,
Tratei logo de rezar
O ato de confissão,
Senti um anjo chegar
Dizendo reze com fé
Ainda pode escapar.

Aí disse eu:

— Eu beberrão me confesso a pipa, a bem-aventurada imaculada de Serra Grande, ao bem-aventurado vinho de caju, a bem-aventurada genebra de Holanda, vinhos de frutas, apóstolos de deus Baccho, e a vós, oh caxixi que estais à direita de todas as bebidas na prateleira do marinheiro.
Amém.

Quando eu acabei de orar,
Olhei para amplidão,
Ouvia dançar mazurca,
Cantar, tocar violão,
Era um anjo que dizia:
- Bravos de tua oração!

Aí um anjo chegou,
Com uma túnica encarnada,
Disse: - Sou de Serra-Grande,
De uma fazenda falada,
Eu sou o que cerca o trono
Da gostosa imaculada.

Sr. Láu, o proprietário,
Do reino onde ela mora,
Me mandou agradecer-lhe,
A súplica que fez agora,
Aí apertou-me a mão
E lá foi o anjo embora.

Aí eu disse: Mulher,
Visto termos nos salvado,
Desmanchemos nossas trouxas,
Já estava tudo arrumado,
Toca comer e beber,
Foi um bacafu danado.

FIM